Na Costa Branca Potiguar o turismo nasce das praias chega ao sertão e faz história

Principal cidade na região da Costa Branca Potiguar, Mossoró é vizinho da Serra do Mel município que recebeu em setembro de 2025 registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), da castanha do caju ali produzida. A certificação concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, fortalece ainda mais o turismo já intenso na Região. Mossoró cedeu parte da sua área para apoiar o assentamento para a criação do novo município de Serra do Mel, mas – como é o maior município em extensão do Rio Grande do Norte – não perdeu sua identidade como o principal polo econômico, cultural e turístico.


Nas três ocasiões que estive ali pude conhecer algumas das atrações da Cidade Cultural, da Resistência e da Liberdade, das salinas de praias de Mossoró. Acompanhei apresentação do “Auto da Liberdade” (num mês de setembro), cuja encenação resgata os quatro atos libertários de Mossoró: Motim das Mulheres – para impedir que seus filhos, adolescentes ou muito jovens, fossem alistados para lutar na guerra contra o Paraguai (1876); a Libertação dos Escravos (1883), a Resistência ao bando de Lampião (1927) e o Primeiro Voto Feminino na América (Celina Guimaraes Viana, em 1928). Não é pouca coisa!


A cidade tem um pouco de tudo, a começar por águas termais que fazem a alegria dos visitantes e turistas que usufruem das 10 piscinas do Hotel Thermas Mossoró, um dos 18 hotéis da cidade. A água chega à superfície numa temperatura de 51 Graus. Diminui à medida em que vai passando de uma para outra piscina. Eu optei pela de 35 Graus, a noite. Durante o dia usufrui de cada uma, entre uma volta e outra no extenso e magnífico parque desse extraordinário hotel. Conta – eu diria a lenda – que um hóspede, um engenheiro japonês se refestelou na piscina de 50 graus. Tentei testar a temperatura e desisti. Era muito quente, numa região mais quente ainda. Mas está lá: Piscina do Japonês!

Na área central fica o Memorial da Resistência, onde acontecem as principais manifestações culturais. O monumento relembra o ataque dos cangaceiros quando o prefeito, em 1927, reuniu lideranças locais para enfrentar o Grupo de Lampião que vinha saqueando cidades. Lampião – que não era bobo – pegou sua turma e foi para outra freguesia quando se deparou com a “tocaia”. Houve mortos, no começo do entrechoque, entre esses um homem considerado “braço direito” de Lampião: o Jararaca, apelido de José Leite de Santana. Ferido e deixado para trás, faleceu dias depois. Seu corpo foi sepultado no cemitério municipal. Seu túmulo é uma grande atração turística! Flores, velas, placas com elogios e xingamentos o rodeiam! Alguns até o consideram um santo e levam placas agradecendo os pedidos atendidos.

O mercado público de Mossoró ( aliás, os mercados públicos das cidades é lugar de visita indispensável) é uma espécie de shopping do sertão, da região toda. Muitos artigos de couro cru, bolsas, malas, sandálias, carteiras, quadros com desenhos de paisagens nordestinas se misturam com redes de todo tipo, cores e tamanhos. Tem bijuterias, artigos do vestuário, a maior parte em algodão produzido na região.


De Mossoró o visitante pode ir até as salinas nas suas praias e nas de Macau, Areia Branca, Galinhos e Grossos. São impressionantes as imagens que as piscinas e , em especial, as montanhas brancas de sal proporcionam! De longe com o ar-condicionado do veículo ligado, a impressão que se tem é de que são montanhas nevadas. Ao descer do veículo, no intenso calor e ar salgado, o visitante (como foi meu caso) se depara com a realidade e dureza do trabalho dos salineiros. Esses passeios, tão necessários para a valorização do trabalho que outros fazem, podem ser comprados em agências que os batizaram de Rota do Sal. Muito interessante.



Nos arredores do Hotel Thermas de Mossoró existem empresas beneficiadoras de castanha de caju, onde turistas podem comprar pequenas quantidades para consumo durante a viagem. Em especial para os que aproveitam para viajar entre Natal e Fortaleza pelas rodovias, o que foi o meu caso. A economia de Mossoró depende do Petróleo, Sal e fruticultura irrigada (caju, melão, mamão, coco, algodão e outras).



Outro atrativo muito impressionante e próximo da Serra do Mel é o Sitio Arqueológico Lajedo de Soledade, no município de Apodi (120 quilômetros da Serra do Mel e 80 quilômetros de Mossoró), rodovias asfaltadas. Esse local com furnas, paredões com escritas rupestres nos leva para um passado muito distante. A conclusão que se chega dessa visita é que aquele espaço já foi mar e nos leva à profecia de Antônio Conselheiro (o bravo e resiliente monge de Canudos) que dizia “o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão”. A visitação no espaço é guiada por jovens estudantes. Uma loja comercializa lembrancinhas, inclusive camisetas.


Toda aquela região tem atrações turísticas diversificadas. A parte mais conhecida é o extenso litoral, com praias famosas por suas águas límpidas, suas baias ou mar próprio para a prática de windsurf, mergulho e outros esportes náuticos. Entre essas praias está a Ponta do Mel – a parte litorânea da Serra do Mel, – com falésias vermelhas e as famosas “três cruzes” que serviram de cenário para alguns filmes, entre esses “Maria, Mãe do Filho de Deus” (2003), da Globo Filmes), a Praia de Upanema (diferente da Ponta do Mel), ambos destinos de ecoturismo que oferecem paisagens naturais, dunas e cultura local, perto de Areia Branca. No sentido Ceará, estão Tibau (RN) e Icapuí (CE), que fazem a divisa dos estados nordestinas, Ali estão a praia Redonda (um paraíso onde comi uma lagosta que deixou saudades), Tremembé, São Miguel do Gostoso, cada qual mais espetacular e com atrativos diferenciados, tendo como ponto de encontro o mar.
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