História dos 90 anos da ARI mostrada no MuseCom até 18 de abril de 2026

O Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa (MuseCom), em Porto Alegre/RS, está com uma exposição dedicada aos 90 anos da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) desde dia 15 deste mês de dezembro de 2025. A mostra é dedicada a entidade, cuja missão está alicerçada em pilares como da defesa da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão e da democracia e de uma imprensa responsável, criada por um grupo de jornalistas e donos de empresas de comunicação em 19 de dezembro de 1935. Portanto, o próprio nome da exposição já faz referência a esse feito: MuseCom apresenta Exposição em Homenagem aos 90 anos da Associação Riograndense de Imprensa.

A mostra foi muito bem-preparada pela equipe do Museu que também nasceu dentro da ARI, como tantas outras instituições voltadas ao conhecimento e cultura, entre essas a Câmara Riograndense do Livro – que depois criaria a Feira do Livro de Porto Alegre; o Sindicato dos Jornalistas, SindJors; Associação Riograndense de Propaganda (ARP) e o Conselho Regional dos Profissionais em Relações Públicas (Conrerp). Além disso, a ARI apoiou a criação de cursos universitários de Jornalismo, esteve à frente das lides pelo tombamento da Casa de Cultura Mário Quintana e participou da discussão da regulamentação profissional e estimula até hoje diversas atividades relacionadas à área.

Por todos esses quesitos que estão presentes na mostra, a visita ao Museu Hipólito José da Costa, na área central de Porto Alegre, na rua dos Andradas, 959, com Caldas Júnior, oferece uma visão muito completa de como nasceu e se consolidou a imprensa gaúcha. Já começa com o prédio histórico do Museu, erguido em 1922 para sediar o Jornal A Federação, órgão oficial do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), veículo criado em 1884 e que circulou – com várias mudanças – até o Estado Novo ou 1937, sempre à serviço de um partido político ou de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. No outro lado da Rua está o prédio do Correio do Povo, lançado em 1895, portanto há 130 anos e que chegou a disputar leitores com A Federação, na primeira década do Século XX. Até dia 18 de abril, quem desejar conhecer a Mostra, poderá fazê-lo de segunda-feira a sábado, das 10h às 19h.

“Seu ARI chegou!!

Alberto André fala aos colegas (acervo ARI)

 A trajetória da entidade que teve como primeiro presidente o escritor Érico Veríssimo, é apresentada de forma dinâmica. Desde o começo da entidade, as diretorias enfrentaram problemas com cerceamento da liberdade profissional, prisões.

Érico Veríssimo, o primeiro presidente

Eleito com 88 dos 114 votos, Veríssimo enfrentou os dias duros do combate ao comunismo, pois a Intentona Comunista, como ficou conhecido o movimento contra o governo de Getúlio Vargas, levou ao Estado Novo já em 1937.  Nessa missão, o jornalista e escritor e presidente da ARI, buscou libertar colegas que foram presos (sempre a alegação de que eram comunistas, ele mesmo sofreu essa acusação por causa do livro Caminhos Cruzados, no qual aponta as desigualdades sociais) ou, quando não foi possível a soltura, ajudou na manutenção da família dos presos. Érico atuava, na época de sua eleição, como redator-chefe da Revista do Globo, em Porto Alegre, e mantinha uma coluna no jornal Correio do Povo.

Muitas personalidades da literatura e do jornalismo presidiram a ARI, após Érico Veríssimo. Entre essas figuras como Manoelito de Ornellas, autor de Gaúchos e Beduínos; Arlindo Pasqualini, político, o principal teórico da doutrina trabalhista (PTB); Arquimedes Fortini, que deixou no seu currículo, entre tantas obras, a construção do Hospital da Criança Santo Antônio, através de apoio da sociedade gaúcha, que atendeu campanha desse grande jornalista.

 Mas a segunda fase da Associação Riograndense de Imprensa foi a época do presidente Alberto André, que presidiu a ARI de 1956 a 1990, sendo reeleito 16 vezes e marcando uma fase histórica da entidade, conhecida como a “segunda grande fase” da ARI. Jornalista respeitado, responsável por uma página sobre a cidade de Porto Alegre no jornal Correio do Povo, onde atuou por 43 anos, vereador pelo PTB (foi presidente da Câmara por um ano, e depois nominou a Biblioteca da CMPA), professor – inclusive dirigiu a Faculdade dos Meios de Comunicação Social Famecos-PUCRS ao tempo da minha formação 72/77 – André atuou de forma decisiva para manter e qualificar a entidade e os profissionais, promovendo cursos, convênios e seminários de qualificação.

Nessa fase – quando Alberto André chegava em alguns locais, em atenção à convites que recebia de prefeituras para que levasse uma comitiva (um ônibus) com jornalistas para conhecer e divulgar as festividades do município – era comum a exclamação “O seu Ari chegou! O seu ARI chegou!”. Eu testemunhei isso!

Todos os grandes eventos – festas como Da Uva e do Vinho, das Flores, Rodeios Internacionais, Festival de Propaganda e tantos outros, sempre tiveram seu lançamento oficial no Salão Nobre da ARI e, na sequência promotores do evento, convidados e jornalistas comemoravam no Bar da ARI, ao chamado de Alberto André “Rumo ao Bar”. A equipe do MuseCom levou uma mostra da versão atual do Bar, que passou por uma reforma liderada pela diretoria que assumiu em 2020, tendo como presidente da diretoria Executiva José Nunes e Luiz Adolfo Lino de Souza na presidência do Conselho Deliberativo.

         Na abertura da mostra o diretor do MuseCom Welington Silva destacou o orgulho de toda a equipe em preparar a mostra e de incluí-la na sua programação. “Para o MuseCom, é motivo de grande orgulho receber a Associação Riograndense de Imprensa para construir este momento que enaltece a memória da Comunicação gaúcha e a representatividade da ARI. Essa parceria oxigena e fortalece nossa missão, celebrando instituições que, como a ARI, são pilares da liberdade de expressão e da democracia que defendemos e acreditamos”, disse.  A mostra é também uma grande celebração do jornalismo no Rio Grande do Sul e ficará aberta à visitação até abril de 2026.

Tem a curadoria da equipe liderada pelo museólogo e diretor Wellington Silva, e com a participação da bibliotecária Lúcia Helena Vidal, da historiadora e museóloga Fabiana Ferreira e da arquivista Laura Isabel Marcaccio Arce.

Equipe do MuseCom

Além do Bar da ARI de diversos painéis com fotos de jornalistas em datas comemorativas, de um grande painel com as figuras relevantes do jornalismo gaúcho do passado e da atualidade, outro atrativo na exposição é o estúdio de rádio interativo, que permite aos visitantes ingressarem no ambiente e simularem a gravação de programas radiofônicos. A exposição, que conta ainda com painéis fotográficos e vídeos sobre a Casa do Jornalista. Além de integrantes da diretoria – José Nunes (presidente), Luiz Adolfo Lino de Souza (presidente do Conselho), Batista Filho (presidente de Honra), tem vídeos do jornalista e escritor Flávio Tavares; de Elmar Bones, o Bicudo; de Kenny Braga, entre outros.

         “Mostrar os 90 anos da Associação Riograndense de Imprensa no MuseCom, ao mesmo tempo em que é uma homenagem à trajetória dessa entidade-berço de tantas outras, inclusive do próprio Museu, é também uma homenagem ao jornalismo e aos jornalistas gaúchos. Espero que as pessoas visitem e conheçam um pouco mais da nossa entidade, que tem como pilares a defesa da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão e da democracia”, declarou José Nunes, presidente da ARI na solenidade de abertura. Também se manifestaram o presidente do Conselho e de honra.

Prêmio ARI e Festividades pelos 90 anos

Premiação do Ari/Banrisul (foto de Mariana Pereira Czamanski)

         Toda a programação anual da ARI foi marcada pelas festividades pelos 90 anos no mês de dezembro. Tanto que na solenidade de premiação da 67ª edição do Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo, que em 2025 teve 430 trabalhos (120 desses de estudantes de jornalismo) a entidade ampliou para nove a homenagem com Troféu Antônio Gonzalez de Contribuição Especial à Comunicação Social. Esse prêmio leva a marca do “Antoninho” que atuou sempre com jornalismo, sendo presidente da ARI, professor e diretor da Famecos. Os agraciados foram: Casa Museu Érico Veríssimo, de Cruz Alta; o jornal O Nacional, de Passo Fundo, que em 2025 completou 100 anos de fundação; o desembargador do Tribunal de Justiça do RS, Vinícius Amaro da Silveira;

José Nunes com Jair Krischke (foto de Mariana Pereira Czamanski)

o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke; o publicitário e presidente da Agência Moove, José Fuscaldo, a jornalista Tânia Carvalho; o Banco do Estado do Rio Grande do Sul – Banrisul; a presidente da ADI Multimídia – Associação dos Grupos Regionais de Comunicação do Rio Grande do Sul, Patrícia Cerutti; o fundador do Grupo RBS, Maurício Sirotsky Sobrinho (in Memoriam) , que em 2025 faria 100 anos.

A entrega do Prêmio ARI ocorreu no auditório da Farsul, visto que foi na antiga Casa Rural que os jornalistas se reuniram em 1935 e fundaram a ARI. No dia 18, a diretoria da entidade inaugurou uma placa comemorativa aos 90 anos no sétimo andar e, na sequência uma festa de final de ano e aniversário no Salão Nobre, tendo na animação a banda Deadline Acústico, dos jornalistas músicos Azeredo, Gonzaga, Elio Bandeira, Renato Gava e Diógenes) 

Jurema J Silva

Jornalista profissional, trabalhou nos principais jornais de Porto Alegre e Rio Grande do Sul. Prestou assessoria às entidades ABAV, Sindetur, Sindicato de Hotéis no RS e à Confederação das Organizações de Turismo da América Latina (Cotal). Atualmente atua com assessoria de imprensa na Câmara Municipal de Porto Alegre.