Castanha do Caju da Serra do Mel conquista IG e alavanca o turismo (I)

Na Rua Coberta, em Gramado, produtos com IG são apresentados, mostrando de onde vieram

         A castanha de caju produzido na Serra do Mel, município da Costa Branca Potiguar, uma área de transição entre o sertão e o litoral do Rio Grande do Norte, conseguiu seu registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), em 25 de novembro do ano passado, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. A concessão atendeu “o pedido feito pela Associação dos Produtores e Beneficiadores de Castanha de Caju de Serra do Mel, que reúne produtores dedicados ao beneficiamento do fruto em uma região conhecida pelas características ambientais e pelo modelo de produção comunitária implementado desde a década de 1970”, conforme  informação  divulgada pela da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Rossi & Zorzanello, empresa especializada em realização de eventos voltados ao turismo e que promove, neste ano de 2026, mais uma edição do Connection Terroirs do Brasil, em Gramado/RS.

Ponta do Mel é a área litorânea da Serra do Mel, na área da Grande Mossoró

Como tem sido tradição, muitas regiões recebem seu certificado e participam do Connection Terroirs do Brasil, que neste ano será realizado de 22 a 26 de abril, em Gramado. Esse encontro conecta produtores, consumidores, especialistas e o trade turístico, reforçando a valorização da cultura, da gastronomia e da identidade brasileira. Desde a primeira edição, o Connection tem a parceria do Sebrae/Nacional e neste ano seguirá o mesmo caminho.

Dessa forma, o registro de procedência ou origem dessa castanha, acrescenta um reforço significativo à economia do município de Serra do Mel, dando outra dinâmica ao setor de turismo na região da Costa Branca Potiguar, cujo município âncora é Mossoró, conhecido como a Cidade da Cultura, da Resistência de Rio Grande do Norte, além de ser a maior produtora de sal do País, responsável por 90% de toda a produção.

Uma área de produção de sal, na região

A história da Serra do Mel e dos produtores de Castanha do Caju naquele ponto é exclusiva e, pode-se afirmar que foi uma reforma agrária, nascida da necessidade de assentar muitas famílias que ficaram desempregadas com o avanço tecnológico na indústria de beneficiamento do sal. As empresas passaram a utilizar equipamentos mecanizados, no final da década de 60, começo da década de 70, o que representou a redução da mão de obra nessa atividade.  A história desse assentamento por si só já é bonita, porém agora coroada com o reconhecimento de que o trabalho feito ali, a produção de castanhas dali, tem marca registrada, alavanca o crescimento da economia, valoriza o produto e contribui para o movimento turístico.

Igreja Matriz da Serra do Mel, dedicada a Nossa Senhora Aparecida

A colonização teve início a partir de sua criação, com o assentamento das primeiras vilas: Paraná, São Paulo, Guanabara, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sendo, no total, estruturado para atender 1.196 famílias. O deslocamento dessas famílias ocorreu gradativamente, e em 1982, ano de conclusão do projeto, já contava com 19 vilas colonizadas, totalizando 1.003 famílias residentes. tendo suas terras desmembradas de Assu, Areia Branca, Carnaubais e Mossoró, tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte, com uma extensão territorial de 617 quilômetros quadrados, é o único a ter sua origem a partir de uma área de assentamento de trabalhadores sem- terra no Estado, grande parte agricultores e outra parte egressa da indústria de beneficiamento de sal. Além da Castanha do Caju, os assentados têm outras culturas especiais de ciclo longo (algodão arbóreo, sisal, caju e coco). Na parte centro / norte as terras são indicadas para preservação da fauna e flora ou para recreação. Uma área também é destinada à agricultura de subsistência, completando o ciclo.

Veja materia sobre o turismo nessa região privilegiada

https://www.connectionexperience.com.br/blog

Jurema J Silva

Jornalista profissional, trabalhou nos principais jornais de Porto Alegre e Rio Grande do Sul. Prestou assessoria às entidades ABAV, Sindetur, Sindicato de Hotéis no RS e à Confederação das Organizações de Turismo da América Latina (Cotal). Atualmente atua com assessoria de imprensa na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Você pode gostar...